Programação Cultural

No mês de Fevereiro as opções de programação estão mais voltadas ao Carnaval, que é uma das maiores festas de nossa cultura.  

Aparte o Carnaval, que não é muito minha praia indico algumas coisinhas.

 

Cinema:

- Verônica: Estréia hoje, mas em poucas salas.

 

Música:

- Preta Gil: Tom Jazz (06/02 e 07/02)

- Dominguinhos: Tom Jazz (13/02 e 14/02)

PS. Acho errado o Tom Jazz não dar direito a meia entrada aos estudantes, cobrando os ingressos como Couvert Artístico.

- Fernanda Takai: SESC Santana (27/02, 28/02 e 01/03).

 

Teatro:

- Nu de Mim Mesmo: SESC Avenida Paulista (13/02 a 15/03)

- Z.É.  – Zénas Emprovisadas: HSBC Brasil (07/03 e 08/03)

 

PS. visitem regularmente os sites do SESC, do Centro Cultural SP, do Centro Cultural BB, o Catraca Livre, o Culturando, que sempre há ótimas dicas culturais a preços populares.

Aventura...

Durante minhas férias forçadas, mas muito bem vindas, a internet e televisão tem-se feito companhia constante para mim.

Quando falo de internet meus pensamentos me remetem ao TCC de um grupo de colegas que se formou comigo que falava sobre a dependência de internet, o excelente trabalho deles me fez acreditar que sofro deste mal. Mas isso é discussão para outro dia, hoje quero falar sobre a TV.

Cada dia se torna mais difícil apreciar programas de qualidade, que acrescentem algo às nossas vidas. Claro que não sou perfeito e também vejo BBB, novelas, Pânico, CQC, etc., porém esta semana tive a oportunidade de assistir ao ótimo programa “Zoombido”, que é vinculado ao Canal Brasil e muito bem apresentado pelo ótimo cantor e compositor (Paulinho) Moska.

Resumidamente o “Zoombido” é um programa onde o Moska recebe em um ambiente bem intimista, compositores (cantores) que são entrevistados basicamente sobre como chegam a composições. O programa já está em sua quarta temporada e em cada uma delas, cada um dos compositores ajuda na composição de uma canção, inclusive a primeira temporada acaba de sair em DVD pela Biscoito Fino.

Pois bem, no programa que assisti, Moska recebia o cantor e compositor Eduardo Duzek. Ao ouvi-los interpretando a canção “Aventura” pude comprovar na prática o que Jung e a Psicologia Analítica discorrem sobre a música. Primeiramente toda e qualquer criação artística é uma manifestação do inconsciente de seu autor, inclusive quem tiver a oportunidade de ver este programa (e conhecer um pouco de Psicologia Analítica) observará que Eduardo Duzek ao responder de onde vem sua inspiração para compor, faz uma clara referência ao Inconsciente Coletivo, que a grosso modo são os materiais herdados da humanidade. A Psicologia Analítica preconiza que as músicas em si não produzem grande efeito nos indivíduos, mas sim as imagens (lembranças) que surgem ao ouvir determinada música que fazem efeito para o sujeito. Em um documentário chamado “Maria Betânia, Música é Perfume” ela faz esta mesma referência, que as duas coisas que mais fortemente são capazes que trazer lembranças às pessoas são a música e a fragrância e um perfume. E como falei acima ao ouvir a referida canção me vieram sortidas agradáveis lembranças. O que me chama a atenção também é o fato de que esta canção nunca fez parte de minhas favoritas, só me remetendo a ela quando uma antiga colega de serviço contou que era alvo de brincadeiras de colegas por conta de um de seus versos que faz referência aos olhos.

Não irei propor que comprovem isto, pois é mais gostoso ouvir a música quando menos se espera e ser tomado de assalto por estas lembranças (boas ou não), mas procurarei mais dados empíricos que corroborem com a suposição acima apresentada. De qualquer forma, fiquem à vontade para compartilhar comigo quem teve alguma experiência semelhante.

 

 

Meia Entrada e Meio Desocupados...

O ator Wagner Moura defende a votação do projeto para que os produtores possam baixar o preço dos ingressos. “A minha peça em São Paulo (Hamlet) tem 70% dos ingressos vendidos com meia-entrada. É evidente que eu sou obrigado a cobrar um preço mais alto”.

"Não somos contra a meia-entrada. O que defendemos é que tenha uma cota para a cobrança porque isso vai viabilizar a redução dos preços dos ingressos para todos", afirmou Wagner Moura. "Se continuar como está, a tendência é de caos", disse ele.

Proposta

“A proposta, em discussão na comissão do Senado, sugere a fixação de 40% de cotas, o controle será feito por um conselho, comandado pelo governo federal, que vai definir ainda sobre a possível venda antecipada dos ingressos.

A medida vai valer para espetáculos, salas de cinema e também eventos esportivos, incluindo museus e circos.

Os artistas apelam ainda para que a União, os Estados e os municípios arquem com um percentual como contrapartida para viabilizar a execução dos projetos culturais no país. Este item não está na proposta em discussão.”

Este notícia é do ano passado, porém me causou constrangimento. Antes de qualquer coisa externo minha opinião favorável à regulamentação da aquisição de meia-entrada, porém divirjo da proposta defendida pelo referido ator.

Vale ressaltar que Wagner Moura atingiu o ápice de sua notoriedade, interpretando o personagem Capitão Nascimento em Tropa de Elite, filme este assistido por muito pagantes de meia-entrada e pessoas que adquiriram a cópia pirateada do filme (esta é outra interessante discussão que pode vir a fazer parte deste blog).

No lugar de medidas arbitrárias como a proposta poderia se utilizar o mesmo critério empregado por uma grande rede de cinemas, onde não são aceitas para comprovar a situação estudante, carteirinhas emitidas por empresas privadas e/ou entidades estudantis.

Infelizmente vivemos em um País, onde todos querem levar vantagem sobre o outro e por incrível que pareça isso é valorizado. As empresas privadas querem lucrar com a venda de carteirinhas e as comercializam mesmo para não estudantes. Estes por sua vez, querem pagar mais barato em eventos culturais e os promotores dos eventos cobram preços abusivos sob a justificativa de que a maior parte dos espectadores são os que fazem uso da meia-entrada. Particularmente não tenho conhecimento de nenhuma pesquisa confiável que comprove isso. Mas o que mais me consterna, é não haver um pensamento coletivo de nenhuma das partes.

Não podemos esquecer também que vivemos em um País onde o acesso à cultura é proporcional a condição social da pessoa, sendo que quanto menor for esta condição, menor será seu acesso. Acredito que isso sim seja relevante e passível de uma discussão em Brasília. Se há tanta vontade e disponibilidade de se fazer algo pela cultura, que tal começar por aí? Que tal vincular espetáculos à programação do SESC? (Que oferece a melhor programação cultural da cidade de São Paulo a preços acessíveis). Ou quem sabe apresentar o espetáculo em bairros menos nobres?

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