Por favor, para no próximo que quero descer.

 

Depois de um longo inverno, volto a escrever. Confesso que ainda não sei como analisar psicologicamente o que escreverei aqui, mas espero atingir minha meta até o final do texto.

Não estou acompanhando o Big Brother Brasil e tão pouco critico quem o faz, como já dizia Caetano, “cada um sabe a dor e a delícia de ser o que é”. Mas enfim, o que me provocou a voltar a escrever foi a consternação a mim causada pelos desdobramentos emergidos a partir da acusação de estupro a um dos participantes.

Primeiramente ao ver o caso nos TT’s do Twitter no domingo, fiquei curioso e fuçando na internet entendi o ocorrido e esperei para ver os desdobramentos. Li que a emissora externou que não foi estupro e sim algo consensual entre duas pessoas adultas, porém as manifestações contrárias permaneciam.

Pois bem, ontem minha consternação tomou conta de mim e provocou esta verborragia gráfica. Como postei ontem em meu Twitter (@parrera) não sei o que me causou mais consternação, a emissora tratar o caso de estupro como “comportamento inadequado”, a omissão da emissora não intervir no ato ou as pessoas colocarem a culpa na moça pelo ocorrido.

Na verdade, sei o que mais me consternou e quem me conhece também sabe que o que mais me incomodou foi de fato a acusação a moça, que me remete ao meu TCC e a minha vocação de querer defender os “fracos e oprimidos”. Além do meu TCC (cuja apresentação está em algum post anteior) este fato me remete ao conceito de “Sombra” criado por Carl Gustav Jung. A grosso modo, a “Sombra” seria “a coisa que uma pessoa não tem o desejo de ser” (CW 16, parágrafo 470) e neste caso, nossa sociedade falocrática machista condena a mulher por ter bebido, por ter se ficado com alguém, etc. Ninguém quer ser esta mulher que atende seus desejos, que se diverte, que tem autonomia sobre suas escolhas e seu corpo. Por isso creditam a ela a culpa por ter sido supostamente abusada, enquanto dormia.

Além de culpar a moça, os que defendem o rapaz dizem que se ele fosse branco nada disso estaria acontecendo. Discordo totalmente deles, apesar de concordar com a frase “de que outros são iguais perante a lei, porém uns mais iguais que os outros”. Porém neste caso não vejo intolerância racial.

Por fim deixo um alerta, não é possível (ainda) acharmos natural ver um suposto estupro em um programa de televisão, apesar de tantas barbáries se tornarem naturais em nosso cotidiano.

Enfim, acho que é isso. Me esforçarei para melhorar a periodicidade de meus escritos, pois é algo que gosto e me faz bem. Feliz 2012 a todos.

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BRASIL, Sudeste, SAO PAULO, TUCURUVI, Homem, de 26 a 35 anos, Portuguese