Fitou toda sala, as paredes, os quadros, as prateleiras repletas de livros, o armário, a mesa, a cadeira e, principalmente, a poltrona e o velho divã.

Quantas pessoas já haviam estado ali, imaginou enquanto sentava-se. Continuou a devagar por seus pensamentos a mesma medida que se entregava ao completo estado de tranqüilidade que o conforto do divã lhe propiciava.

Já deitado, com os olhos suavemente fechados, lembrou-se da dona Emma e toda angústia que o luto precoce lhe trouxe. O jovem Carl e sua dificuldade em lidar com os próprios sentimentos e expô-los de forma adequada. O Gustav e sua ansiedade persecutória que fazia com que se sentisse denegado pela própria família. As transferências eróticas, o prazer das pontuações corretas, os casos que se tornaram artigos, as palestras, os livros... Bons tempos.

A presença de uma pessoa adentrando ao antigo consultório faz com que saia do vendaval quase hipnótico de bons pensamentos. Numa fração de segundos a filha se assusta ao ver o pai ali sozinho, mas o semblante alegre faz com que a preocupação se desfaça. Ela sabia o quanto ali era significativo para ele, apesar de nunca compreender como antigamente as pessoas suportavam passar tanto tempo angustiadas, apesar de todas explicações que o pai lhe dera.

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